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Beijo de Mulata

Beijo de Mulata

13
Out13

[outras palavras] não mais me queixarei dos roncadores

beijo de mulata

Eu sempre me queixei que os maiores roncadores do mundo tendiam a sentar-se ao meu lado nos aviões. Sobretudo nas viagens que fazia mais cansada e a precisar de dormir. E nas de longo curso. Agora que penso melhor, era sobretudo nessas. E quanto mais longa a viagem, pior o síndrome de Pickwick: mesmo que eu tentasse distraí-los e mantê-los acordados em conversa, adormeciam pelos cantos, no intervalo entre duas frases. E lá recomeçava o pesadelo...

Acho que a minha atração magnética sobre os grande roncadores da humanidade atingiu o seu zénite numa viagem de 14 horas para o outro lado do mundo, onde tinha de um lado uma amiga que dormiu o tempo todo e nem na aterragem conseguiu acordar e, do outro, o maior ressonador que já vi ao vivo (e olhem que conheço muitos ortopedistas!). Cheguei a pensar em fazer um apelo geral por um aparelho de CPAP a bordo. Ou uma aterragem de emergência. A sério, o senhor fazia apneias de meia noite e cheguei a temer pela vida dele, sobretudo numa apneia prolongadíssima que terminou num ronco que quase me matou a mim do coração. Por fim cheguei a temer pela minha sanidade mental. Os comissários de bordo tentaram oferecer-me, por diversas vezes, tampões para os ouvidos, mas a vibração, assim, a seco, sem banda sonora, era ainda mais aflitiva. A mulher dele tinha, mui inteligentemente dado de frosques e encontrava-se a uma distância prudente, mais de quinze lugares atrás, mas eu reconheci-a por ser a única pessoa que passou por mim tentando fingir que ignorava o senhor e que não me lançou um olhar de compaixão. Ah, e que usava um par de tampões de silicone nos ouvidos.

Mas mal o apanhei acordado, só saiu de lá com a ameaça de que teria de ir ao médico quando regressasse de férias, que eu era menina para fazer uma denúncia pública e nunca mais o deixar viajar de avião, a bem da pureza sonora da atmosfera a bordo e da sua própria saúde.

Mas hoje rendi-me. Há uma pessoa mais azarada do que eu, valha-me Nossa Senhora do Ar! Não volto a queixar-me.

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