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Beijo de Mulata

Beijo de Mulata

25
Jan13

[comentários que valem um post] uma costela hipocondríaca

beijo de mulata
Conta-nos a Risota, a propósito do post sobre a hipocondria nos estudantes de Medicina e do comentário da Ruiva sobre os seus próprios gânglios linfáticos:

Uma vez descobri um alto no tórax e fiquei em pânico. Mas giro, giro foi que a médica das urgências também sentiu aquela espécie de quisto e não sabia do que se tratava. Como não se via nada no raio x pensou que talvez fosse um lipoma!  
- Oi?
- Isso mesmo! Um lipoma! E vamos lá fazer uma eco para ver se descobrimos do que é que se trata.
E eu peguei nos resultados e bati o pé à porta do consultório da minha médica de família (se é para receber notícias más que seja por uma cara conhecida).
OMG! O que ela gozou comigo! Estava eu aflitinha e ela diz-me com a maior das calmas: "Hummm estou a ver! Acha que é desta que morre? Ainda não! pelo menos eu não conheço ninguém que tenha morrido por ter costelas flutuantes!"
 
E foi então que, ao sorrir, me lembrei desta história, que há uns anos atrás nos valeu umas gargalhadas valentes no serviço de urgência...

P. S. - Se se revirem em qualquer das situações, não se sintam mal, por favor. Por mais doenças imaginárias que já tenham tido, lembrem-se: eu tive dez vezes mais durante o curso, a saber, cento e tal doenças ligeiras, quinze graves e dez fatais! Se mais alguém quiser partilhar uma boa história, a gerência deste mato agradece...
23
Jan13

[comentários que valem um post] sobre a pêpa desta semana, um tal de henrique

beijo de mulata
[O título é da Maria Bê, nossa correspondente no Arizona, mãe de duas crias adoráveis e mulher de um fabuloso caçador de escorpiões.]
 
Diz Jorge Soares, vizinho deste mato e dono d'"O que é o jantar", a propósito da minha fúria de anteontem:
Tenho um filho hiperactivo. Durante muito tempo pensei como esse senhor: achava que a solução para o problema não eram os psicólogos e pedopsiquiatras. Apesar dos diagnósticos de hiperactividade, défice de atenção e dislexia, eu continuava a achar que o que ele precisava era de regras e mão dura, que o que tinha funcionado comigo, que era uma criança normal, também ia funcionar com ele.
Um dia acordei às cinco da manhã e cheirou-me a fumo, levantei-me e fui dar com ele a fazer uma fogueira debaixo do edredão. Nesse dia percebi que há coisas que estão mais além das regras, das sovas e dos castigos... e que não, que eu não ia conseguir resolver o problema, porque não é um problema que se resolva com educação, é uma doença e as doenças devem ser tratadas.
O texto não me estranha nada, por vezes falo da hiperactividade no meu blog e há sempre alguém que vem dizer algo parecido com o que diz este senhor, há muita gente que pensa como ele... infelizmente.
 
Mais achas para a fogueira aqui e aqui...
19
Jan13

[comentários que valem um post] nódulos, tumores, cancros e afins...

beijo de mulata
 
Comentário ao post anterior escrito pela minha querida Ruiva-da-cidade-das-acácias, futura companheira de viagem à Gorongosa com o baby-de-mulata:
Sou historiadora, ou tento ser vá, mas lembro-me daquela vez em que fui a correr às urgências do hospital de Braga, certa de que tinha encontrado um nódulo no meu corpo, de tamanho enorme e seguramente já num estádio avançado de cancro... A médica que me atendeu, amorosamente auscultou, palpou, fungou e depois afastou-se com o seguinte veredicto e cara de seriedade total: "Parabéns, descobriu os seus nódulos linfáticos!... E deixe-me que lhe diga estão no sítio, de perfeita saúde e com as dimensões normais... Agora por favor diga-me como raio conseguiu descobri-los? É que nós temos tanta dificuldade para os encontrar por palpação, inclusivé nas crianças..."
18
Jan13

[hipocondria] tão bom que já me tinha esquecido como era!

beijo de mulata


Durante o curso de Medicina, não há estudante que se preze que não tenha tido uma preocupação grave com a sua própria saúde, por curta que fosse, sobretudo no terceiro ou quarto ano, em que as doenças e os doentes começaram a surgir em catadupa nas nossas vidas.

Mas, como em tudo, há os que abusam. Eu fui uma delas. E desde cedo! Ao todo umas cento e tal doenças ligeiras, quinze graves e dez fatais! Ele era aneurismas da aorta abdominal, ele era cancros em vários orgãos e sistemas, ele era todo o tipo de doenças infecciosas e parasitárias, incuindo as que existem exclusivamente em locais recônditos de África ou da América do Sul. Recordo-me particularmente de uma insuficiência renal aguda no segundo ano, que durou dois dias, altura em que terminei de estudar o aparelho urinário e passei a ter uma azia de caixão à cova porque me meti (assim à maluca!) a estudar o aparelho digestivo. Recordo-me também de um linfoma no terceiro ano, que só passou com uma autoridade em Hematologia a dar um murro na mesa e dizer-me que não me fazia biópsia nenhuma porque não tinha indicação. Rezei por ele durante anos!

A verdade é que todos passámos por isso. E à medida que o tempo passava, os sintomas tornavam-se cada vez mais sofisticados e consistentes. Qualquer dormência que surgisse, seguia uma distribuição por dermátomos, as dores abdominais exacerbavam-se sempre à descompressão, como na apendicite aguda... Mas claro que tínhamos crítica. Claro que minutos ou, na pior das hipóteses, horas depois fazíamos o percurso mental inverso e desmontávamos os sintomas e somatizações. Riamos de nós próprios, que é sempre o melhor remédio. O problema é que também este processo falhava por vezes. Tenho inclusivamente uma colega que só se rendeu à evidência de que tinha mesmo uma apendicite aguda e não uma somatização (estávamos no estágio de Cirurgia II) quando chegou à fase de "ventre em tábua"...

Depois tudo passou, felizmente! Não tenho saudades, confesso. Muitos dos meus colegas ficaram alérgicos e não suportam doentes hipocondríacos. Eu, pelo menos, continuo sensível ao tema. E achei delicioso ler no outro dia a São João, que dizia com imensa graça: "Não sou hipocondríaca. Eu somatizo é muito!" E responde a Mariana, logo ali, com o mesmo sentido de humor: "Eu também nunca invento sintomas, tenho é muitos. E geralmente todos graves!" Benza-vos Deus, minhas queridas, que não há doença que vos resista à boa disposição!
16
Jan13

[welcome to mozambique] os feiticeiros de tete

beijo de mulata
 
Ritual de Feitiçaria.
(África do Sul, foto daqui)

Vem de muito longe esta notícia partilhada pelo Professor. Deliciosa para mim! Mas sei bem que fica distante demais esta África profunda, de curandeiros, feiticeiros e médicos tradicionais. É quase inacessível à compreensão dos europeus não só o significado daquela pequena trouxa que se despenhou num quintal como também o tempo de antena absurdo dedicado à cobertura de uma notícia deste calibre, sem qualquer perspetiva crítica ou orientação etnográfica para o leitor. Os comentários são ilustrativos de que isto se passou mesmo em outro ponto do planeta...

Mas se alguém se interessar pelos fenómenos antropológicos de Moçambique, siga os links do Prof. Paulo Granjo (Antropocoiso para os amigos).
12
Jan13

[deve ser pecado] janela indiscreta...

beijo de mulata
Deve ser pecado partilhar ainda mais isto convosco, valha-me São Paulo do cavalo bravo... Mas não não vou deixar de o fazer... Como dizia um padre amigo meu, não preciso de ir para o céu, que os meus amigos também não vão para lá! Ontem tive uma surpresa agradável quando uma amiga me ligou a dizer que fosse depressa ouvir a Antena 1. Não fui, que o baby-de-mulata estava a acordar do seu sono de beleza. Mas ouvi depois em Podcast. Obrigada, Pedro Rolo Duarte!

Bom fim de semana!
06
Jan13

[eu não mereço, eu sei] mas soube tão bem...

beijo de mulata
A Sónia Morais Santos, jornalista de mão cheia e uma força de trabalho impressionante, autora do blogue "Cocó na Fralda", como obviamente saberão (até porque com grande probabilidade vieram cá dar a partir dele), escreveu um artigo sobre esta apaixonada pelo mato moçambicano nas Selecções do Reader's Digest, a revista que eu lia quando era mais nova e que me ensinou tanta coisa. Julgava-a extinta, calculem...

Não sei como foi que ela, só com notas tiradas à mão, sem gravador, escreveu aquilo que eu disse, textualmente!, e ainda interpretou o que eu não disse mas gostaria de ter dito... Até fiquei com vontade de conhecer aquela senhora que descreve. Não devo ser eu, certamente. Mas soube mesmo bem.

P.S. - Antes que perguntem, o vestido, que eu adoro, é feito com panos africanos, mas infelizmente não foi feito em Moçambique. Foi comprado em Londres, no Spitalfields Market a uma tiazoca bem disposta.
26
Nov12

[alhos e blogalhos] valha-me nossa senhora do google

beijo de mulata

Meus queridos amigos, eu não gosto de vos importunar com "bloguices" aqui do mato, até porque qualquer vizinho de morada do blogspot também deve ter histórias igualmente engraçadas...

A verdade é que hoje venho aqui carpir as minhas mágoas. Muito me agradaria continuar a dizer que a maioria dos visitantes que aqui desagua, navegando à boleia do google, vem à procura de "mulatas nuas" e de "mulatas selvagens", mas infelizmente, nos últimos tempos, o top 10 das pesquisas tornou-se, lamentavelmente, mais educado e decente. Eu sempre confiei que o nome deste mato pudesse atrair para sempre pesquisas mais interessantes, mas parece que já não conseguimos enganar ninguém...

O que ainda me vale, para animar o sitemeter, são os senhores que têm a bússola cibernética avariada e vêm naufragar aqui ao mato com pesquisas que não lembram ao menino Jesus.

Ora então temos as últimas pesquisas pertinentes que vieram aqui aportar:

- Imagens de Santo Mé e Príncipe (!) - Oh, valha-me São Mé, santo padroeiro dos ovinos e caprinos, segundo o nosso comentador honoris causa.

- Lista de todas as vadias de Nampula até Cuamba - Credo, ó senhores... Mas precisava mesmo de ser uma lista de todas, todas? Se fosse assim umas quatro ou cinco ainda se conseguia arranjar. Eu própria conheci e tratei algumas no hospital de Iapala e ainda me recordo dos nomes, mas mais do que isso não conseguimos. De qualquer modo, aqui ficam os meus sinceros parabéns pelo otimismo! Acreditar que é possível, num qualquer recanto blogosférico, encontrar uma lista deste calibre é algo digno de um homem de fé!

A Santa do Eixo da Via - Ora que bela ideia! Deve ser a santa padroeira dos chapas! Eles andam a velocidades suicidas sem nunca se desviarem um milímetro do meio da estrada. E nós, os condutores com algum apego à vida, acabamos por ir parar à berma o mais rapidamente possível, mesmo arriscando a pele no voo lateral...

- Pode-se tomar pau de cabinda com o mata-bicho? - Bem, poder pode. Com o mata-bicho, com uma cerveja, com um café... Mas com a namorada penso que seria mais agradável. Mas cada um sabe de si.

- Baptiza Qualquer Rato - Meu senhor, não vejo por que não! Que mal pode haver nisso? Qualquer rato também é filho de Deus e produto da Sua divina criação, passe o pleonasmo. Em tempos houve um bispo em Utrecht que chegou a batizar uma mola hidatiforme! Uma mola hidatiforme de uma condessa, é certo, mas ainda assim... E aqui a história assevera-nos, mais uma vez, que um bispo nunca se atrapalha, que um bispo enrascado é pior que um anestesista bêbado. E reza, pois, a história que o digníssimo clérigo dividiu aquela massa vesiculosa em 365 partes iguais e batizou metade com o nome de João e a outra metade com o nome de Isabel e mandou depois fazer-lhes um funeral condigno.

- Banhos para atrair mulheres funcionam mesmo? - Por acaso esta já tinha aparecido antes... Bem, meus senhores, estudos científicos por acaso não temos. Mas temos uma teoria ...

Afinação para vinte vozes brancas - Ai, meu amigo, deixe-se disso... Esqueça! Mesmo. Dedique-se a outra coisa. Vai ser uma canseira sem proveito nenhum. O próprio Bach nunca passou da afinação para quatro vozes. E mesmo assim sabe Deus!

A todos estes senhores, que conseguiram cá chegar com apenas estas coordenadas, os meus parabéns e o meu mais sincero obrigada pelos sorrisos que me proporcionaram!

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