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Beijo de Mulata

Beijo de Mulata

24
Abr10

[nomes que dizem tudo #7] mas que ninguém pronuncie, por favor

beijo de mulata
Hemerdulino?! Mas isto não acaba, minha Santa Eufrásia? Não passam 24 horas num serviço de urgência que não dê de caras com uma criança com um nome improvável. Por favor, senhores! Querem que reproduza aqui a lista dos nomes autorizados para se inspirarem? O nome é importante, caramba!

(Há tempos um colega meu também se recusou a ser padrinho de uma Cálida Brisa do Carreiro* alegando que era nome de vento quente...)

* Apelido fictício mas semanticamente equivalente.
24
Abr10

[e porque a vida é simples] e a música também é para os leigos

beijo de mulata
E porque muita gente se queixa que os termos musicais são herméticos e não são imediatamente compreensíveis por amadores resolvi aproveitar este espaço para construir um pequeno glossário que alguns poderão achar completamente básico mas que talvez ajude uma ou outra pessoa a tocar de forma mais esclarecida algumas peças musicais.

- A cappella – Vamos tentar sem piano!
- Accellerando – Despachem-se, o maestro saltou uma página!
- Accopiato – Foi copiado!
- Acidente – Foi sem querer…
- Ad libitum – É como virar frangos…
- Adagio ma non troppo – Um iogurte apenas.
- Adagio molto – Um litro de iogurte.
- Afinado – Pelo menos vamos tentar começar na mesma nota…
- Al fine – Do inglês: Tudo bem.
- Allargando – Toquem devagar que o maestro está perdido…
- Appoggiatura – Desculpem, saltou-me um dedo…
- A prima vista – Para quem acredita no amor…
- A solo – No chão.
- A tempo – Mesmo em cima da hora.
- Baixo implícito – Um baixo que se insinua.
- Bocca chiusa – Como em “Tens a boca suja”.
- Bisbigliando – Meter o nariz, bisbilhotar.
- Brioso – Jogador do Académica.
- Brunette – Morena selvagem (valha-me Nossa Senhora do Google se com isto vêm cá parar mais horny bastards).
- Canon – Melhor que uma Sony (não confundir com Maria), mas pior que uma Nikon.
- Coloratura – Um desenho para colorir.
- Contratempo – Percalço, revés.
- Croma – Mais um elemento da caderneta.
- Da capo – Do princípio, mas desta vez sem erros!
- Dissonante – Nunca desafinado, ora essa!
- Flat – Sem ondas, como em “O mar hoje está flat.”
- Forte – Com algum excesso de peso.
- Fortissimo – Obeso.
- Gustoso – Saboroso.
- Harmonia – Quando atinamos com o acorde…
- Homofonia – Como diria o Bispo de Lichinga: “Tá mal!”
- Improvvisando – Não sei muito bem como era…
- Incalzando – “My shoes were killing me…”
- Legato – Herança.
- Mancando – Coxeando.
- Meno mosso – Homens, cantem mais baixo!
- Monofónico – Sem piadinha nenhuma…
- Ouvido absoluto – Sim, tenho a certeza de que foi aquilo que ele tocou!
- Órgão – Parte vital de um músico.
- Parafonia – Como diria o Bispo de Lichinga: “Tá mal!”
- Più mosso – Homens, cantem mais alto!
- Pizzicato – Uma com queijo, sem tomate.
- PochettinoO marido da outra senhora.
- Polifonia – Ou como diria o Bispo de Lichinga: “Tá mal!”
- Precipitando – Está a chover.
- Presto – Como em “Eu não presto”.
- Prima Donna – A Diva.
- Prima volta – A prima já vem.
- Recitativo – Não encontro a música, mas estou à procura…
- Semicroma – Menos croma que a outra…
- Silenzio – Calem-se!
- Simile – Do inglês: Sorriam!
- Síncope – Colapso.
- Soprano – Aquele que sopra…
- Sotto voce – Só vozes, mas muito baixinho…
- Tardo - … mas não falho!
- Tónico – Tudo o que puder ser tomado com Gin.
- Traste – Velhaco, desonesto. Nota do autor: Esta qualificação pode ter gradações subtis, sempre definidas segundo o critério da maestrina, como primeiro traste, segundo traste… Já segundo os critérios das Divas, quanto mais trastes melhor.
- Tremolo – Um pouco nervoso.
- Triângulo – De comum acordo ou, como diria mais uma vez o Bispo de Lichinga…
- Trio – Um a mais!
- Uníssono – Vai ser desta que começamos na mesma nota!
- Variação – Desculpem, enganei-me outra vez…
24
Abr10

[e porque a vida é simples] e a arte é para os leigos

beijo de mulata
Não compreendo as pessoas que dizem que não entendem a música contemporânea. Para mim é tudo muito simples: quando a música começa calamo-nos. Quando a música pára batemos palmas. No final do espectáculo levantamo-nos e, se estivermos na Gulbenkian batemos palmas e gritamos "Bravo", se estivermos na Aula Magna, no CCB, na Casa da Música ou equivalente, gritamos como se estivéssemos a fazer um alarido africano.

Vá, parem com essas lamúrias em dó de mim, que já não se usam.
24
Abr10

[vozes brancas* #10] grande é a poesia, a bondade e as danças

beijo de mulata
Há anos atrás, durante um jantar de família uma prima perguntou-me onde seria o meu estágio seguinte. Respondi que na semana seguinte iria para o Egas [Moniz]. Nesse momento vejo a filha dela, salvo erro então com três anos, abrir muito os olhos, com um ar maravilhado:
- Vais para o Egas?! ... e o Becas?

* Timbre da voz de uma criança antes da puberdade.
24
Abr10

[vozes brancas* #9] os mistérios da ressurreição

beijo de mulata
Na Consulta da semana passada duas irmãs, uma de oito e outra de seis anos contavam-me das férias da Páscoa, de como se tinham fartado de brincar, de comer grandes ovos Kinder e de como tinham sido obrigadas pela avó a ir à missa durante três dias seguidos. E pergunta a mais nova:
- Mas Jesus agora está vivo ou está morto?
- Agora está vivo - responde a mais velha - mas para o ano já morre outra vez...

* Timbre da voz de uma criança antes da puberdade.
22
Abr10

[nomes que dizem tudo #6] mas que ninguém pronuncia...

beijo de mulata
(Contextualizando: Em Cabo Verde, tal como em muitos países africanos, as crianças recebem um nome com que são registadas à nascença e que se torna o seu nome oficial mas, a par desse nome, existe o "nome de casa" pelo qual são sempre tratadas pela família e amigos. Habitualmente não respondem de imediato pelo nome oficial e só o utilizam para assinar papéis e em situações afins.)

Ora, certa vez, nos cuidados intensivos do meu hospital estava internada uma menina natural de Cabo Verde cujo nome era Sony e a quem a mãe chamava de Maria. E diariamente era isto: Maria para cá, Maria para lá e, quando alguém lhe chamava Sony, a mãe insistia que ela gostava mesmo era de ser tratada por Maria, nome que tinha um grande significado na família e no qual tinha muito gosto. Nisto pergunta uma colega minha, chegada no dia anterior e com pouca vocação para mediadora cultural (cada um, hélas, é para o que nasce):

- Mas oiça, mãe, se gostava tanto de Maria, por que é que lhe chamou Nokia?

Isto tem dias muito divertidos... Mas a propósito, acho que podíamos ter aprendido qualquer coisa sobre isto nas aulas de Antropologia, em vez das especificidades da dinâmica interpessoal das vendedeiras ambulantes do Martim Moniz... E mais não digo.

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